Uma nova onda de consumismo infantil atiça as empresas e reacende o debate sobre como vender para as crianças sem romper o limite da ética
Tal como grandes companhias de brinquedos, vestuário, comunicações, alimentos e outros setores, a Ella Hair concentrou todos seus esforços no ‘mercado infantil’. ‘As crianças estão despertando mais cedo para o consumo. Elas escolhem suas lojas e se tornam um público fiel’, justifica Deulzir. As atrações do salão de beleza mudaram. Deulzir passou a organizar festas de aniversário em seus estabelecimentos. Entre um cachorro-quente e outro, as crianças recebem um tratamento de beleza completo. Dependendo do pacote encomendado pelos pais, a festança pode sair por mais de 1000 reais. Não deixa de ser uma cifra generosa para uma empresa que tem cerca de 3 mil crianças cadastradas.
Os pequenos empreendedores despertaram para o potencial dos consumidores mirins. O mercado infantil cresce em ritmo acelerado no Brasil: 14% ao ano - ou o dobro do verificado nos segmentos voltados para adultos. Hoje, as crianças brasileiras movimentam cerca de R$ 50 bilhões por ano. Os pais nunca gastaram tanto com o consumo dos filhos como agora.
Isso acontece por 2 motivos:
Os meninos e as meninas estão muito mais antenados ao mundo das compras. 99% das crianças assistem à televisão, 87% ouvem rádio e 34% usam a internet com freqüência. As crianças são atingidas em cheio pela publicidade , ficando mais exigentes nas compras;
A falta de tempo dos pais é outro fator que reforça o apetite de consumo dos pequenos. Mergulhados em trabalho, eles procuram compensar a pouca atenção dada aos filhos com… presentes. Quem tem condições não pensa 2 vezes antes de comprar um brinquedo ou roupinha infantil – o que, aliás, confere aos filhos um alto poder de barganha.
Conquistar a confiança do consumidor infantil não é fácil. Parte das companhias enfrenta enormes dificuldades ao tentar desenvolver um produto que caia no gosto da garotada. O grande desafio das empresas interessadas no mercado infantil é aprender a pensar como criança. Muitas vezes, os executivos tomam sua própria infância como referência para entender o perfil de consumo dos mini clientes. Assim, acabam lançando brinquedos ou roupas obsoletos, que já não correspondem ao gosto das gerações mais novas. Outro erro das empresas é tentar aplicar no público infantil as mesmas técnicas promocionais que funcionam com os adultos. Há uma vasta diferença entre ambas. Não há como fazer pesquisas de opinião com crianças ou fazê-las se interessar por um produto devido a uma promoção ou desconto no preço. No mercado infantil, o que faz a diferença é o ‘amor à primeira vista’ – ou aquela incrível capacidade que algumas marcas têm de fazer as crianças espernearem por uma compra.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
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